Osvandir estava
num daqueles dias difíceis, que até aqueles três pontinhos atrás de sua orelha
esquerda, herança da sua última abdução, começaram a doer. A cidade onde iria
ainda estava longe, a uns 100 km de distância.
Parou na beira da
estrada para tomar um cafezinho e, ao sair, ouviu um assunto que lhe
interessou. O pessoal fazia referência a uns seres peludos que andavam
aparecendo no meio do mato e na próxima cidade, onde iria visitar.
Seguiu mais
temeroso pela estrada, logo que seu carro começou a ganhar velocidade, notou
qualquer coisa atravessando a estrada aos saltos.
O seu corpo começou a tremer e sentiu um
friozinho subir a espinha dorsal.
Depois de um
velho pequizeiro, já preto pelas constantes queimadas de beira de rodovia, viu
uma placa indicativa de trevo para a cidade.
Diminuiu a velocidade, contornou à
direita e ia seguindo por aquela estrada de terra, quando apareceu uma vaca sem
ele saber de onde saiu... Seria mesmo uma vaca? Não prestou muita atenção.
Alguns pontos de
referência como uma montanha já bem escavada para retirar cascalho, uma pequena
ponte de madeira, depois do bambuzal.
Chegou à cidade depois de uma pequena
elevação de terreno. Lá em baixo, dava para ver que era pequena, não passava de
uns vinte mil habitantes.
Foi passando por
aquelas ruas, algumas calçadas, outras não, até chegar a um hotel indicado por
um proprietário de bar.
Fez aquelas
fichas, assinou o livro e recebeu a chave para o seu quarto. Desfez as malas e
deu uma olhada pela janela. Uma casa grande chamou-lhe a atenção, por causa de
quatro pilares bem na entrada que poderiam significar: Ciência, Filosofia, Arte
e Mística.
Pensou: “Deve ser de alguém letrado,
ligado a estas ciências antigas”.
Procurando se informar melhor, ficou sabendo
que aquela casa fora construída por um alemão, depois da segunda guerra
mundial, mas hoje era ocupada por uma viúva jovem de um grande empresário,
ligado área de produtos alimentícios.
O dito empresário
seguia em seu bimotor para São Paulo, quando sofreu acidente. O seu corpo nunca
foi encontrado.
Com todas essas
informações, Osvandir, curioso, não deixou de observá-la, quando podia, com seu
possante binóculo.
Tomou um banho
frio, desceu as escadas, ele estava no segundo andar do hotel, almoçou e foi
dar umas voltas, comprar jornais e ver se conseguia mais informações sobre as
estranhas criaturas peludas.
Um dos jornais
que comprou, com o sugestivo nome de “O REPÓRTER”, era mais sério, publicava
propaganda das obras do Prefeito, já o outro, em formato de tabloide, com cada
página medindo aproximadamente a metade do tamanho do outro jornal, só para
gozar o principal, tinha o nome de “ARRE PORTER”. Este pequeno jornal era mais
fofoqueiro, publicava página policial, esportes, fotos de mulheres bonitas, tudo
que o povão gosta e o preço era baixo: R$0,25.
Numa roda de
amigos, ficou sabendo que há dois dias aparecera alguma coisa diferente na
periferia, à noitinha, mas, quando foram apurar era um jovem que pulara o muro
da casa da namorada...
Ao chegar no seu quarto, pegou o
binóculo e olhou aquelas ruas escuras, já era quase meia noite. Alguma coisa
chamou-lhe a atenção; no quarto da viúva havia uma criatura negra, do tamanho
de um cão.
No outro dia,
quis saber do gerente do Hotel Pirâmide, o que era aquilo que viu na noite
anterior, na mansão da viúva. O velho Senhor José informou-lhe que ela não
largava daquele cão negro, o dia inteiro.
Desconfiado,
passou a observá-la à noite. Por trás daqueles finos tecidos da cortina da
janela, descobriu que o animal ficava na cama deitado com ela.
No fundo do
quintal, uma piscina grande, com água azul. Toda manhã ele nadava junto com
aquela Senhora.
O tempo foi
passando e Osvandir ficando impaciente, nada acontecia de anormal naquela
cidade tão falada.
Porém, sempre existe
um porém, naquela noite ele foi deitar mais cedo e, de manhã, foi despertado
por um barulho diferente nas ruas, um zunzum de pessoas por toda parte.
Na frente da mansão da viúva, uma
ambulância e enfermeiros entrando e saindo. Não viu o cão preto. Mais tarde
soube do que aconteceu.
Ao pegar o
caminho de casa, resolveu comprar os dois jornais rivais: “O Repórter” e o
“Arre Porter”. O primeiro trazia a seguinte manchete: “Cão agrediu Viúva”. O
outro dizia: “Viúva da mansão foi estuprada por seu cão” e completava dizendo
que os dois, grudados, foram parar no hospital.
Manoel Gonçalves de Amaral - Ocupa a cadeira nº 08 - Patrono Monteiro Lobato - Antecessor Geraldo Hamilton de Menezes.


Amigão,
ResponderExcluirMeu nome tem um errinho: é Manoel Ferreira do Amaral.
osvandir.blogspot.com.br
Gostei da publicação e da imagem que ilustra o texto.
ResponderExcluirMuito bom. Obrigado.